sexta-feira, 24 de julho de 2009

Faço jus aos feminismos do meu ser quando sou delicada, compreensiva, amada. Quando sou bruxa, sou o quê? Alguém sem sexo, identidade. Me torno aquela, que não me é nem um pouco desconhecida, minha graciosa maldade. Faço clarear à mente, as idéias e a base de todo o meu rancor, para que por fim, meu coração, se deságüe diante de tanto ardor.

Destruo e apago, todos aqueles sonhos piegas que mantenho há tanto tempo, o pó que deles é resto, suja o chão esbranquiçado e antes limpo, esmago a sujeira com a sola dos meus sapatos justos, aperto o calcanhar com força petrificada e me desminto.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

É tão difícil se fazer entender, descrever as coisas com aproximação assombrosa, ser compreendido sem distorções, por mais que se tente. É sutil a linha que separa o entendimento e a realidade do medo insano de se perder.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Formação de palavras: normal (norma + al).

Desde quando a norma se tornou o normal?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ganhei o dia no fim do dia.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Se eu pudesse mudar alguma coisa, repetiu ele. Estávamos há muito tempo a conversar. Ele estava deprimido, em uma daquelas crises existenciais que costumava a ter. Não me era novidade. Atirado ao sofá ele continuava: Se eu pudesse mudar alguma coisa... Não conseguia terminar a frase. Talvez não fosse apenas alguma coisa que gostaria de mudar, mas talvez muitas coisas, pensei. Ou talvez estivesse bêbado e com antidepressivos demais na mente, no estomago, no coração, para falar alguma frase que fizesse sentido. Enquanto eu estava de pé com certa distância sua, aguardando o momento em que ele fosse cair, desmaiar, morrer, de tanta dor. Muitos minutos se passaram, até que ele, finalmente, conseguiu continuar sua frase dolorida. Se eu pudesse mudar alguma coisa, qualquer coisa, imploraria a Deus que arrancasse de mim toda a minha lucidez. Bonita frase, falei para mim mesma, enquanto dei uma pequena risada irônica. Não sabia se decidia ficar assustada ou agiria com naturalidade, mas a verdade era que eu já sabia perfeitamente o que ele iria dizer. Ele lá, desolado, desalmado, atirado naquele sofá. Eu ali, em pé, compreensiva a sorrir. Sim, eram tão absolutas todas aquelas palavras e tentativas frustradas de frases, que tudo que consegui fazer foi apenas sorrir e pensar. Sim, eu sei. Começou então ele a chorar, corri para acalmá-lo. Estávamos abraçados, enquanto ele dizia que não tinha mais esperanças, estava afundando, afogado em lágrimas e dores. Chorava ao descrever seu infinito aperto no peito, sua infindável ansiedade e aquela maldita falta de não-sei-exatamente-o-quê. Compreendi naquele instante. Ele era minha alma e eu a sua. Estávamos fundidos, éramos um só, enquanto ele chorava tudo aquilo que eu jamais havia conseguido chorar, soluçava por mim, no meu lugar. Minha lucidez dói em mim, continuou. Em mim também, pensei. Minha lucidez me impede de ser feliz, ela desmascara toda realidade podre em que vivo. Em que vivemos. Como eu gostaria de ser mais um individualista, egoísta, moralista comum. Como eu gostaria de ser como aquela moça, que passa ali na rua, que acredita que sua vida é boa e que uma festa e uma garrafa de uísque barato podem solucionar todos seus problemas. Como eu gostaria de ser assim, ele repetia. Como eu gostaria de ser feliz, burra, alienada, gorda, e completamente feliz, como ela.

terça-feira, 19 de maio de 2009

E a crítica mordaz fez-se novamente. Estamos cercados de ditadores, falo sério. Não foram poucos comentários, mas muitos, afirmando que Marisa Monte enlouqueceu, pirou, se vendeu, não tinha mais o que falar, por cantar uma música que cita nomes de comidas, mais precisamente doces. O que tem de tão revoltante? Músicas consideradas decentes só falam de anseios amorosos e, quando muito, manifestações políticas. Por que não comida?

O nome da música é ‘Não é Proibido’. Veja que bonito. Marisa, ao final de sua carreira, canta uma musica que em sua maior parte, cita doces. Naturalmente causou ódio, indignação e repulsa naqueles mais desavisados. É lógico que comidas não são proibidas, muito menos doces. Acontece que depois de um certo tempo cansamos do que é proibido, o proibido é trabalhoso. Por que então, não nos divertirmos com o que nos é acessível e permitido?

Mas ainda vou lhes contar um segredo: a musica é irônica. ‘Traz todo mundo, tá liberado, é só chegar. Traz toda a gente, tá convidado, é pra dançar’. Calma, não crucifiquem Marisa. Os doces dela não são proibidos como outros tantos espalhados por aí, e nem por isso deixam de ser alegres e divertidos. E como ela mesma canta: ‘Não precisa bancar o bacana’.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Peço perdão à indústria farmacêutica e as indústrias de cosméticos em geral. Minhas mais sinceras desculpas. Triste e melancólica vou contar minha verdade: não consegui preencher suas expectativas. Todos estes cremes, perfumes e desodorantes que foram criados para perfumar nós, mulheres, falharam comigo, assim como falhei com eles também. Sabe. Não sou tão floral e delicada como vocês, que criam estes cheiros, esperam que eu seja. Tampouco sou sutil a ponto de ser suave. Sou mulher, fêmea, mas não sou doce como os cheiros que foram incumbidos ao meu sexo. Em realidade, sou cítrica demais para exalar perfume de flor. Sou tão cítrica que, às vezes, chego a ser azeda. Larguei por fim, entristecida, os perfumes ditos femininos. Larguei por que eles simplesmente não retratarem a mulher que de fato sou, mas a mulher que querem que eu seja.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Prefiro um inconformista agressivo a um conformista imbecilizado.
Cansei de ser sujeito, agora sou apenas objeto.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sim, passou. Não tive tempo de correr e te alcançar. Aquele tempo enfadonho em que minhas mágoas e incertezas se diluíam com os teus sentimentos sádicos desavisados. Ar pesado, temperatura nostálgica e nuvens de tristeza. Apego-me às memórias, e as agarro tão forte que começo a fatigar. Preciso desesperadamente das lembranças. Minhas fontes com o passado estão dia a dia mais escassas, enquanto eu me pergunto o que fazer e o que achar das coisas que fogem ao meu controle. Nem foi tão bom, mas foi. Quero de volta. Quero com a mente de hoje, com os pós-fatos sabidos, viver então. Aquele leve aperto no coração desapareceu, enquanto eu desolada, morta, vomitando nas paredes, tento encontrar um sentido em todo este esterco. Vida desgraçada, desregrada. Malditas pessoas frenéticas e desvairadas que andam por toda parte como zumbis. Nostalgia sentimentalóide torturadora. Tiro a casca da ferida, quero, e muito, que ela doa. E gosto, gosto por que quero sentir a vida escorrendo dentro de mim. Preciso, por ao menos um segundo, sentir-me um pouco mais dentro deste corpo que já não mais me pertence.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sou incompetente por natureza, logo não me esforço para tanto.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Viver é entediante e ao mesmo tempo misterioso. A ausência da palavra ‘entediante’ em muitos dicionários é misteriosa. Entediar é um verbo. Entediante seria aquele ou aquilo que entedia, não seria? Tudo bem. Estou sendo espirituosa demais, e otimista também, mas o que me resta ser?

Talvez o nosso tão almejado veneno antimonotonia seja romancear os fatos. Criar, quem sabe, personagens absurdos e inexistentes. Criar histórias, enredos e papéis a serem observados pelo nosso olhar limitador e restrito. Inventar vidas fictícias para as pessoas que cruzamos nas ruas. Amantes, amores platônicos, desencontros, medos, crises existenciais. Por que não? A vida é mistério, mas é tão previsível quanto.

As coisas podem ser bem chatas às vezes. Acordar cedo, dor de garganta, falta de dinheiro. Esse querer ser feliz ‘para sempre’ nos aniquilou de vez, deixou-nos mais velhos e mais gordos. E mais desinteressantes também. Poderemos ser qualquer coisa: curiosos, questionadores, silenciosos e inquietos para sempre, mas, felizes jamais. Ser feliz acomoda e o comodismo nos impede de pensar.

domingo, 19 de abril de 2009

Por que a arte é tão solitária?

terça-feira, 7 de abril de 2009

Os dias da semana me servem de consolo, esperança. Nestes dias me rendo à realidade pura e simples. Dias em que não preciso esperar grandes acontecimentos, posso apenas viver e sobreviver em paz. Dias em que minhas expectativas não sucumbem além do trivial, uma torta de chocolate, quem sabe. Nestes dias que me permito, com louvor, viver de simplicidades, distraindo-me com coisas não tão magníficas e esplendorosas. Dias estes que me acalmam, aconchegam e protegem do mal que toda e qualquer decepção que uma grande expectativa poderá me trazer.

Chega então Sexta-feira, ah, que dia infernal. Minhas inquietações renascem, afloram. Cai o peso do mundo em minha cabeça: preciso me divertir de qualquer jeito, afinal, é Sexta-feira, não é? Encha sua cara e estrague suas idéias com um baseado barato. Expectativas para uma incrível Sexta-feira, por mais que em quase cem por cento das vezes, elas nunca se concretizem.

Sábado, então, o tormento aumenta. O dito melhor dia da semana precisa ser inesquecível. Pessoas reunidas, risadas inacabáveis, coisas divertidíssimas para depois contar aos idiotas dispostos a escutar. E não se tem desculpas, você não fez nada o dia todo, apenas leu... 'trate já de tomar um banho, vista sua melhor roupa e vá exibir-se por aí'.

Domingo é a tristeza do quase fim. 'Poderá fazer o que quiser, mas não até muito tarde, por que amanhã, infelizmente, a semana começa de novo'. Regras de comportamento. Padronização de felicidade. Ou faça isso, ou não viverá plenamente. Não perceberá o sangue da juventude correndo em suas veias. 'Só assim se é feliz, entenda'.

Eis que Segunda-feira surge como um sol para o meu coração aflito. Aflito por não se divertir nos dias em que deveria, aflito por não suportar felicidades programadas. Será que é assim tão fácil? Será que meu botãozinho cujo nome é ‘diversão’ emperrou?

Pensei nisso em uma Terça-feira normal, comum, trivial, chame do que quiser, na cozinha de minha casa enquanto preparava alguma coisa para comer. Pois, até onde meus parcos conhecimentos de mundo me sustentam, alguém em 'perfeita' e 'saudável' sanidade jamais me diria: Vai, minha filha. Vai sentar ali, tomar sopa em pó solúvel com bolachas água e sal e ser feliz.

Que belo conceito de felicidade este que me ensinaram.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tenho observado, há bastante tempo, que existem muitas pessoas se utilizando de suas opções sexuais como motivo para vulgarização de suas palavras e justificação de suas atitudes grosseiras. Sem opção sexual especifica, cito heterossexuais, homossexuais, bissexuais, seja lá o que for, são tantas opções e apenas dois sexos.

É estranha a confusão que as pessoas criam para poder se encaixar em algum conceito, seja ele qual for. Elas parecem até querer e gostar dos rótulos que lhes são atribuídos. Os conceitos que devem se encaixar nas pessoas, não o contrário. Tenho notado, de forma gritante, que a liberdade sexual está se confundindo com liberdade de caráter.

Às vezes, se está ‘a favor’ da maré e acredita-se ter algumas vantagens por isso. Mas, penso, que as coisas funcionem de outra forma. Para ser homem heterossexual, por exemplo, são necessários várias pré-disposições, quesitos e cumprimento de certos padrões de comportamento. E saiba que independente da posição que você estiver, do lado que estiver, você terá que cumprir convenções. Temos consciência do quão desgastante é tentar se encaixar nos padrões a qualquer custo?

Outras vezes se está ‘contra’ a maré, contra pelo simples fato de não se ter a opção que é considerada a mais correta. Estar contra já é difícil e complexo, pelo simples fato de estar. Mas se extrapola, para variar. Só por que se está contra a maré em um determinado ponto, é preciso escancarar todas as portas e janelas e fazer o que bem entende com o resto, jogar valores e princípios pro alto?

Inversão de valores em todas as posições. Distorção de liberdade sexual, principalmente. Cada opção com sua dor e com o seu peso de existir. Cada um com suas confusões e inseguranças. Cada um agindo apenas, sem pensar, tantas vezes. Cada um existindo, aceitando e não questionando nada sobre si mesmo, sobre o mundo que nos cerca e sobre a sociedade complicada em que vivemos. Quais os valores que estamos pregando? De que maneira estamos agindo? Quais as sementes que estamos plantando, afinal?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Quero a certeza, quero dados, tabelas e gráficos. Que saber tudo o que se passa neste instante e tudo que vai passar. Quero saber o amanhã e o depois de amanhã também. Quero ter certeza até das minhas próprias incertezas. Quero. Quero e preciso viver nesta tortura angustiante que é não ter certeza de nada. Existe algo absolutamente certo, estanque, indestrutível? Existe algo tão sólido que nada, absolutamente nada, é capaz de desintegrar? Isso, meu caro, esse controle, é falta de fé em Deus, na vida e, principalmente, em mim mesma.

quarta-feira, 25 de março de 2009

No teatro da alma, máscaras são distribuídas com suas pesadas facetas de incoerência. Lutamos vidas inteiras contra, ou a favor, destas máscaras. De quando em quando, captamos pequenas pistas a respeito do personagem principal, o protagonista de toda obra, o verdadeiro eu, que mais cedo ou mais tarde, irá se revelar diante à platéia.

sábado, 21 de março de 2009

Toda pessoa é um escritor, pintor, músico, bailarino, um artista em potencial. São poucas aquelas que não tem medo de se expor ao ridículo. Pessoas que acreditam no valor de expressar seus sentimentos mais profundos e não se deixar intimidar por eles. Ridículos todos somos.

Ridículo é acharmos que somos muito diferentes uns dos outros, uns mais e outros menos especiais, quando, na verdade, somos todos um pouco egoístas, críticos, sádicos, invejosos e paranóicos. Somos gente, e gente é como é: podre, pobre, hipócrita. Gente influenciada por tantas correntes de pensamento opostas que acabam se desencontrando pela estrada. Gente que não sabe o que pensar sobre as coisas. Gente que destrói o outro com a boca e, por outro lado, o acaricia com as mãos.

Ser artista é ter sensibilidade aguçada, ainda que, muitas vezes, não se tenha maturidade suficiente para isso. O artista cresce pela dor. A dor de enxergar e sentir coisas que a maior parte das pessoas não se permite, apesar de possuírem plena capacidade para isso. O artista imaturo vê o seu próprio lado feio e se deprime com isso. Vê, também, o lado feio dos outros e foge de tudo como uma criança, por achar que nada mais tem solução. Enquanto o artista presunçoso acha que pode mudar o mundo e se revolta contra ele.

- Mas há de ter uma solução, uma resposta, uma receita, queridos. Digo eu, numa esperança melancólica e quase que desesperada. - Tem que ter.

terça-feira, 17 de março de 2009

Quantas vezes tentamos controlar os sentimentos, fatos e acontecimentos. Quantas? Acreditamos que o apego às coisas nos fará resgatar o passado. Estamos envolvidos em nossas paranóias tentando controlar o tempo, que é uma das coisas mais dinâmicas que existe e, quando menos se espera, ele se deixa escorregar pelos nossos dedos. Tempo roubado. Tempo perdido e desperdiçado. Apegar-se ao tempo é uma das atitudes mais insanas que pode existir, ele sequer olha para trás e pensa em estagnar. O tempo, talvez, seja nosso maior exemplo, no qual apenas visualiza o que está à frente, determinado, passa simplesmente, desapega-se de tudo e todos de forma brilhante e madura, e ainda sobrevive a isso.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Por que nasci tão repetitiva, Deus do céu?!