quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O vestido que chegou naquele pacote bonito e que, à primeira vista, acreditei que se encaixaria perfeitamente em meu corpo, não serviu. Não serviu a mim. Quando o observei de perto, quando pude tocá-lo e senti-lo mais intimamente, me ocorreu à idéia, até então bem distante, de que talvez não fosse encaixar tão facilmente. Sim, suspeitei do não cabimento daquilo, mas, primeiro, precisei me despir e experimentar. Nem tudo encaixa perfeitamente, pura e simplesmente. Na verdade quase nada. Sempre é necessário fazermos alguns ajustes, cortarem-se umas partes ali, cederem-se outras aqui e aí finalmente, sim, as formas poderão então entrar em sintonia com as minhas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Somos condicionados, desde bem pequenos, a acreditar que nossos pais sabem e devem saber o que é o melhor para gente. Sim, isso faz sentido, em nossos primeiros anos de vida, que somos jovens demais para discernir o que nos faz bem, escolher o que devemos comer, vestir, falar. Não temos um caráter ou uma personalidade formada, que nos indique o que nos serve e o que não. Muito menos sabemos lidar com nossos emoções e sentimentos a fim de expressá-los e entendê-los.

Sim, nossos pais sabem o que é o melhor para gente nessas condições. Mas o fato é que sabem o que é o melhor baseados em experiências próprias, tais como sentimentos e carências exclusivas deles mesmos. O melhor que nos foi composto, e imposto, é creditado em necessidades de outra criatura, ou melhor, de duas criaturas, as criaturas nos fizeram.

É preciso humildade para perceber as reais necessidades dos filhos. Não somente nossos pais, mas nós mesmos estamos tão perdidos e distraídos em nossos problemas, que acreditamos que o mundo inteiro necessita das mesmas coisas que nós, sem perceber que cada um possuí características inatas com necessidades peculiares, que só serão supridas no momento em que forem observadas de verdade.

Nossos pais não nos criam para sermos criaturas independentes e plenas, que são fiéis a si mesmas. Somos pequenos projetos de erros e acertos deles. Os erros para serem consertados e os acertos para serem melhorados. Somos os responsáveis por fazer melhor do que eles fizeram, somos as novas chances de eles acertarem. Muitos pais não conhecem os próprios filhos.

O principio da crise existencial no período da adolescência se encontra aí, quando começamos a nos questionar e percebemos, mesmo que inconscientemente, que estamos sendo submetidos a necessidades que muitas vezes não são nossas, e nos indignamos com isso. Ironicamente a adolescência é intitulada pelos pais como o período da rebeldia. Previsivelmente, ninguém quer ver seus ‘pertences’ criando vida própria e se libertando. Sim, muitos pais acreditam que os filhos pertencem a eles. Soa como ‘eu fiz você e você precisa ser do jeito que eu quero’.

Crescemos demais acostumados com a aprovação de nossos pais, e muitas vezes anulamos a nós mesmos para obter essa aprovação. Confundimos aprovação com amor e, a partir dessa necessidade de aprovação iniciada pelos pais, acreditamos necessitar da aprovação do mundo inteiro, ou pelo menos boa parte dele.

É absurda a insegurança que sentimos quando não somos aprovados pelos nossos pais e, mais tarde, pelas pessoas. Fomos ensinados a não sermos fiéis a nós mesmos e nos magoamos constantemente devido a isso. Até quando permitiremos que isso aconteça? Todos nós tivemos, somos e seremos pais, amigos, colegas opressores, e muitas vezes não percebemos, por que todo esse jogo de forças está escondido nas pequenas coisas, no dia a dia, nas sutilezas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Querida,
Peço que me perdoe por aparecer somente agora tanto tempo depois que todas aquelas coisas aconteceram contigo, peço perdão por não aparecer antes. Preferi me retrair e não interferir em tuas decisões, por que, como você sabe muito bem, quando sou solicitada a dar conselhos e opiniões sobre a vida alheia me torno uma pessoa imediatamente moralista e irredutível. Reconhecendo minha falha, por mais estranho que isso possa parecer, resolvi me abster de qualquer opinião ou verdade que te fosse conveniente. Sabe, querida, compreendi, durante todo esse tempo em que ficamos afastadas, inúmeras das minhas imperfeições, e a medida em que cada uma se revelava eu me senti o mais desprezível dos seres. Não tenho moral suficiente para aconselhar ou julgar quem quer que seja. Peço desesperadamente que esqueça todos os meus pseudoconselhos carregados de ressentimentos meus. Nessas minhas pequenas autodescobertas reinventei algumas verdades, antes absolutas, mas que agora entendo que são absolutamente relativas. Tão relativas quanto tudo aquilo que está ao alcance de nossos olhos e ouvidos. Vivemos em um mundo que nos faz acreditar que temos controle sobre tudo, e que a vitória superficial é, sim, válida. Queremos controlar o futuro, a saúde e o imprevisto. Achamos que podemos julgar as pessoas pelas ofensas que elas nos causam e causaram sem nem tentar entender o porquê daquilo. Felicidade é sentimento, não aparência de. Entenda, querida, de uma vez por todas, que estar contra tudo por simplesmente estar não te torna mais original, muito pelo contrário, te torna mais um rebelde sem causa no mundo, que mais destrói e bagunça as coisas e contribui muito pouco para nossa possível e tão sonhada lucidez total. Ser original hoje em dia é difícil, tudo o que podia ser inventado já foi e cá estamos nós tentando misturar toda essa criatividade solta tentando ver quais serão os próximos monstros iremos criar. Sim, por isso não te escrevi antes, minha mente está tão confusa quanto a sua, não tenho condições de ampliar teus horizontes. Tenho mais dúvidas do que respostas e preciso delas para me situar, mas enxergo somente nuvens carregadas na minha frente: repletas de interrogações. Não quero mais escrever, querida. Me determinei vir até aqui apenas para pedir desculpas, e imploro que pare de exigir opiniões e um ombro amigo, não posso fazer isso. As minhas verdades, felicidades e prazeres não são os teus, então, por favor, afunda em ti mesma e descobre o que é bom ou ruim, certo ou errado, bonito ou feio, pra ti. Não exija de mim a consideração e apoio que não dás a ti mesma, estou cansada de te pegar no colo e ninar. Deu. Te amo, mas não posso te defender eternamente das maldades das pessoas e do mundo. Desculpa, querida, mas as minhas privações não te impedirão de crescer.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sempre é percebida a nostalgia pela qual as pessoas rememoram a infância. Confesso que nunca entendi esse processo direito, sempre quis refletir mais sobre. Não que a infância não seja uma fase interessante, de descobertas, de ingenuidade e alegria, sim, ela é tudo isso e mais, disso nunca duvidei. Mas, se analisarmos mais a fundo, poderemos constatar que é, com certeza, infantilidade das pessoas quererem retornar à infância por simplesmente retornar. A infância não pode ser recuperada, assim como tudo aquilo que faz parte do passado. As pessoas escolhem soluções ‘simplistas’ para solucionar seus anseios atuais, visto que o retornar é inatingível, o que passou não pode voltar, e assim temos todos problemas sem soluções realistas.

A maturidade é algo conquistado com tanto esforço, que acaba se tornando um peso para grande maioria, e surge daí também a idéia errônea de que na infância tudo é maravilhoso e de que não sofríamos, e isso está completamente errado. Sofríamos sim, talvez até mais do que hoje, por que não tínhamos capacidade suficiente para compreender que o mundo não era só nosso, nem feito apenas para nós.

Quando conquistamos a maturidade desenvolvemos nossa independência em relação a outras pessoas e desenvolvemos, se quisermos, é claro, a capacidade de lidar (com) e entender nossos sentimentos. A infância é por nós valorizada e glorificada, por que não queremos nos dar a chance de crescer e se libertar do que quer que seja.

Na infância não compreendemos direito aquilo que sentimos, não temos maturidade emocional para explicar e trabalhar nossos sentimentos, então, o que fazemos é chorar, chorar, chorar, até que alguém resolva compensar essa nossa lacuna com um afago, um brinquedo, ou um doce. Somos ‘indefesos’, ingênuos e dependentes, esperamos que alguém resolva nossas dores e nossos anseios.

Esquecemos, quando adultos, de que quando dependemos de alguém não temos liberdade para decidir as coisas, precisamos da aprovação alheia, do consentimento alheio. Acredito que ninguém, de verdade, queira depender de alguém, seja essa pessoa um pai, uma mãe, um irmão, um amigo, um namorado. Para quê? Quando dependemos da compreensão e atitude alheia sempre acabaremos nos decepcionando, por que as únicas pessoas capazes de nos fazer crescer, maturar e libertar, somos nós mesmos. As pessoas não têm a capacidade de saber o que se passa na mente, no coração e na alma da gente, portanto, cabe a nós mesmos decidir o que queremos de nossas vidas, de nossas escolhas, de nossas relações e de nossos sentimentos, mais ninguém.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Faço jus aos feminismos do meu ser quando sou delicada, compreensiva, amada. Quando sou bruxa, sou o quê? Alguém sem sexo, identidade. Me torno aquela, que não me é nem um pouco desconhecida, minha graciosa maldade. Faço clarear à mente, as idéias e a base de todo o meu rancor, para que por fim, meu coração, se deságüe diante de tanto ardor.

Destruo e apago, todos aqueles sonhos piegas que mantenho há tanto tempo, o pó que deles é resto, suja o chão esbranquiçado e antes limpo, esmago a sujeira com a sola dos meus sapatos justos, aperto o calcanhar com força petrificada e me desminto.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

É tão difícil se fazer entender, descrever as coisas com aproximação assombrosa, ser compreendido sem distorções, por mais que se tente. É sutil a linha que separa o entendimento e a realidade do medo insano de se perder.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Formação de palavras: normal (norma + al).

Desde quando a norma se tornou o normal?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ganhei o dia no fim do dia.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Se eu pudesse mudar alguma coisa, repetiu ele. Estávamos há muito tempo a conversar. Ele estava deprimido, em uma daquelas crises existenciais que costumava a ter. Não me era novidade. Atirado ao sofá ele continuava: Se eu pudesse mudar alguma coisa... Não conseguia terminar a frase. Talvez não fosse apenas alguma coisa que gostaria de mudar, mas talvez muitas coisas, pensei. Ou talvez estivesse bêbado e com antidepressivos demais na mente, no estomago, no coração, para falar alguma frase que fizesse sentido. Enquanto eu estava de pé com certa distância sua, aguardando o momento em que ele fosse cair, desmaiar, morrer, de tanta dor. Muitos minutos se passaram, até que ele, finalmente, conseguiu continuar sua frase dolorida. Se eu pudesse mudar alguma coisa, qualquer coisa, imploraria a Deus que arrancasse de mim toda a minha lucidez. Bonita frase, falei para mim mesma, enquanto dei uma pequena risada irônica. Não sabia se decidia ficar assustada ou agiria com naturalidade, mas a verdade era que eu já sabia perfeitamente o que ele iria dizer. Ele lá, desolado, desalmado, atirado naquele sofá. Eu ali, em pé, compreensiva a sorrir. Sim, eram tão absolutas todas aquelas palavras e tentativas frustradas de frases, que tudo que consegui fazer foi apenas sorrir e pensar. Sim, eu sei. Começou então ele a chorar, corri para acalmá-lo. Estávamos abraçados, enquanto ele dizia que não tinha mais esperanças, estava afundando, afogado em lágrimas e dores. Chorava ao descrever seu infinito aperto no peito, sua infindável ansiedade e aquela maldita falta de não-sei-exatamente-o-quê. Compreendi naquele instante. Ele era minha alma e eu a sua. Estávamos fundidos, éramos um só, enquanto ele chorava tudo aquilo que eu jamais havia conseguido chorar, soluçava por mim, no meu lugar. Minha lucidez dói em mim, continuou. Em mim também, pensei. Minha lucidez me impede de ser feliz, ela desmascara toda realidade podre em que vivo. Em que vivemos. Como eu gostaria de ser mais um individualista, egoísta, moralista comum. Como eu gostaria de ser como aquela moça, que passa ali na rua, que acredita que sua vida é boa e que uma festa e uma garrafa de uísque barato podem solucionar todos seus problemas. Como eu gostaria de ser assim, ele repetia. Como eu gostaria de ser feliz, burra, alienada, gorda, e completamente feliz, como ela.

terça-feira, 19 de maio de 2009

E a crítica mordaz fez-se novamente. Estamos cercados de ditadores, falo sério. Não foram poucos comentários, mas muitos, afirmando que Marisa Monte enlouqueceu, pirou, se vendeu, não tinha mais o que falar, por cantar uma música que cita nomes de comidas, mais precisamente doces. O que tem de tão revoltante? Músicas consideradas decentes só falam de anseios amorosos e, quando muito, manifestações políticas. Por que não comida?

O nome da música é ‘Não é Proibido’. Veja que bonito. Marisa, ao final de sua carreira, canta uma musica que em sua maior parte, cita doces. Naturalmente causou ódio, indignação e repulsa naqueles mais desavisados. É lógico que comidas não são proibidas, muito menos doces. Acontece que depois de um certo tempo cansamos do que é proibido, o proibido é trabalhoso. Por que então, não nos divertirmos com o que nos é acessível e permitido?

Mas ainda vou lhes contar um segredo: a musica é irônica. ‘Traz todo mundo, tá liberado, é só chegar. Traz toda a gente, tá convidado, é pra dançar’. Calma, não crucifiquem Marisa. Os doces dela não são proibidos como outros tantos espalhados por aí, e nem por isso deixam de ser alegres e divertidos. E como ela mesma canta: ‘Não precisa bancar o bacana’.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Peço perdão à indústria farmacêutica e as indústrias de cosméticos em geral. Minhas mais sinceras desculpas. Triste e melancólica vou contar minha verdade: não consegui preencher suas expectativas. Todos estes cremes, perfumes e desodorantes que foram criados para perfumar nós, mulheres, falharam comigo, assim como falhei com eles também. Sabe. Não sou tão floral e delicada como vocês, que criam estes cheiros, esperam que eu seja. Tampouco sou sutil a ponto de ser suave. Sou mulher, fêmea, mas não sou doce como os cheiros que foram incumbidos ao meu sexo. Em realidade, sou cítrica demais para exalar perfume de flor. Sou tão cítrica que, às vezes, chego a ser azeda. Larguei por fim, entristecida, os perfumes ditos femininos. Larguei por que eles simplesmente não retratarem a mulher que de fato sou, mas a mulher que querem que eu seja.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Prefiro um inconformista agressivo a um conformista imbecilizado.
Cansei de ser sujeito, agora sou apenas objeto.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sim, passou. Não tive tempo de correr e te alcançar. Aquele tempo enfadonho em que minhas mágoas e incertezas se diluíam com os teus sentimentos sádicos desavisados. Ar pesado, temperatura nostálgica e nuvens de tristeza. Apego-me às memórias, e as agarro tão forte que começo a fatigar. Preciso desesperadamente das lembranças. Minhas fontes com o passado estão dia a dia mais escassas, enquanto eu me pergunto o que fazer e o que achar das coisas que fogem ao meu controle. Nem foi tão bom, mas foi. Quero de volta. Quero com a mente de hoje, com os pós-fatos sabidos, viver então. Aquele leve aperto no coração desapareceu, enquanto eu desolada, morta, vomitando nas paredes, tento encontrar um sentido em todo este esterco. Vida desgraçada, desregrada. Malditas pessoas frenéticas e desvairadas que andam por toda parte como zumbis. Nostalgia sentimentalóide torturadora. Tiro a casca da ferida, quero, e muito, que ela doa. E gosto, gosto por que quero sentir a vida escorrendo dentro de mim. Preciso, por ao menos um segundo, sentir-me um pouco mais dentro deste corpo que já não mais me pertence.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sou incompetente por natureza, logo não me esforço para tanto.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Viver é entediante e ao mesmo tempo misterioso. A ausência da palavra ‘entediante’ em muitos dicionários é misteriosa. Entediar é um verbo. Entediante seria aquele ou aquilo que entedia, não seria? Tudo bem. Estou sendo espirituosa demais, e otimista também, mas o que me resta ser?

Talvez o nosso tão almejado veneno antimonotonia seja romancear os fatos. Criar, quem sabe, personagens absurdos e inexistentes. Criar histórias, enredos e papéis a serem observados pelo nosso olhar limitador e restrito. Inventar vidas fictícias para as pessoas que cruzamos nas ruas. Amantes, amores platônicos, desencontros, medos, crises existenciais. Por que não? A vida é mistério, mas é tão previsível quanto.

As coisas podem ser bem chatas às vezes. Acordar cedo, dor de garganta, falta de dinheiro. Esse querer ser feliz ‘para sempre’ nos aniquilou de vez, deixou-nos mais velhos e mais gordos. E mais desinteressantes também. Poderemos ser qualquer coisa: curiosos, questionadores, silenciosos e inquietos para sempre, mas, felizes jamais. Ser feliz acomoda e o comodismo nos impede de pensar.

domingo, 19 de abril de 2009

Por que a arte é tão solitária?

terça-feira, 7 de abril de 2009

Os dias da semana me servem de consolo, esperança. Nestes dias me rendo à realidade pura e simples. Dias em que não preciso esperar grandes acontecimentos, posso apenas viver e sobreviver em paz. Dias em que minhas expectativas não sucumbem além do trivial, uma torta de chocolate, quem sabe. Nestes dias que me permito, com louvor, viver de simplicidades, distraindo-me com coisas não tão magníficas e esplendorosas. Dias estes que me acalmam, aconchegam e protegem do mal que toda e qualquer decepção que uma grande expectativa poderá me trazer.

Chega então Sexta-feira, ah, que dia infernal. Minhas inquietações renascem, afloram. Cai o peso do mundo em minha cabeça: preciso me divertir de qualquer jeito, afinal, é Sexta-feira, não é? Encha sua cara e estrague suas idéias com um baseado barato. Expectativas para uma incrível Sexta-feira, por mais que em quase cem por cento das vezes, elas nunca se concretizem.

Sábado, então, o tormento aumenta. O dito melhor dia da semana precisa ser inesquecível. Pessoas reunidas, risadas inacabáveis, coisas divertidíssimas para depois contar aos idiotas dispostos a escutar. E não se tem desculpas, você não fez nada o dia todo, apenas leu... 'trate já de tomar um banho, vista sua melhor roupa e vá exibir-se por aí'.

Domingo é a tristeza do quase fim. 'Poderá fazer o que quiser, mas não até muito tarde, por que amanhã, infelizmente, a semana começa de novo'. Regras de comportamento. Padronização de felicidade. Ou faça isso, ou não viverá plenamente. Não perceberá o sangue da juventude correndo em suas veias. 'Só assim se é feliz, entenda'.

Eis que Segunda-feira surge como um sol para o meu coração aflito. Aflito por não se divertir nos dias em que deveria, aflito por não suportar felicidades programadas. Será que é assim tão fácil? Será que meu botãozinho cujo nome é ‘diversão’ emperrou?

Pensei nisso em uma Terça-feira normal, comum, trivial, chame do que quiser, na cozinha de minha casa enquanto preparava alguma coisa para comer. Pois, até onde meus parcos conhecimentos de mundo me sustentam, alguém em 'perfeita' e 'saudável' sanidade jamais me diria: Vai, minha filha. Vai sentar ali, tomar sopa em pó solúvel com bolachas água e sal e ser feliz.

Que belo conceito de felicidade este que me ensinaram.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tenho observado, há bastante tempo, que existem muitas pessoas se utilizando de suas opções sexuais como motivo para vulgarização de suas palavras e justificação de suas atitudes grosseiras. Sem opção sexual especifica, cito heterossexuais, homossexuais, bissexuais, seja lá o que for, são tantas opções e apenas dois sexos.

É estranha a confusão que as pessoas criam para poder se encaixar em algum conceito, seja ele qual for. Elas parecem até querer e gostar dos rótulos que lhes são atribuídos. Os conceitos que devem se encaixar nas pessoas, não o contrário. Tenho notado, de forma gritante, que a liberdade sexual está se confundindo com liberdade de caráter.

Às vezes, se está ‘a favor’ da maré e acredita-se ter algumas vantagens por isso. Mas, penso, que as coisas funcionem de outra forma. Para ser homem heterossexual, por exemplo, são necessários várias pré-disposições, quesitos e cumprimento de certos padrões de comportamento. E saiba que independente da posição que você estiver, do lado que estiver, você terá que cumprir convenções. Temos consciência do quão desgastante é tentar se encaixar nos padrões a qualquer custo?

Outras vezes se está ‘contra’ a maré, contra pelo simples fato de não se ter a opção que é considerada a mais correta. Estar contra já é difícil e complexo, pelo simples fato de estar. Mas se extrapola, para variar. Só por que se está contra a maré em um determinado ponto, é preciso escancarar todas as portas e janelas e fazer o que bem entende com o resto, jogar valores e princípios pro alto?

Inversão de valores em todas as posições. Distorção de liberdade sexual, principalmente. Cada opção com sua dor e com o seu peso de existir. Cada um com suas confusões e inseguranças. Cada um agindo apenas, sem pensar, tantas vezes. Cada um existindo, aceitando e não questionando nada sobre si mesmo, sobre o mundo que nos cerca e sobre a sociedade complicada em que vivemos. Quais os valores que estamos pregando? De que maneira estamos agindo? Quais as sementes que estamos plantando, afinal?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Quero a certeza, quero dados, tabelas e gráficos. Que saber tudo o que se passa neste instante e tudo que vai passar. Quero saber o amanhã e o depois de amanhã também. Quero ter certeza até das minhas próprias incertezas. Quero. Quero e preciso viver nesta tortura angustiante que é não ter certeza de nada. Existe algo absolutamente certo, estanque, indestrutível? Existe algo tão sólido que nada, absolutamente nada, é capaz de desintegrar? Isso, meu caro, esse controle, é falta de fé em Deus, na vida e, principalmente, em mim mesma.